quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dar o salto ou 'ir a salto' 3

O programa dos homens do táxi

Era uma vez um Alemão, um Dinamarquês e um Italiano que foram chamados para consertar um país... É certamente assim que muitas anedotas vão começar. Mesmo antes delas existirem (e podem enviar-mas para ir colocando neste diário da crise) podemos imaginar uma tipologia para as mesmas: o anedotário do país; o dos políticos; o do FMI e do FEEF (Surgirem 3 Fs aquando da intervenção em Portugal quando não existiam na da Irlanda e da Grécia já é destino!); o da Europa; etc. A moral final até pode ser 'Como um pequeno país deu cabo da Europa!'! Pelo menos esse medo surgiu já no elefante Alemão! Bom, por falar em Alemão, voltemos a ele, ao Dinamarquês e ao Italiano: os homens do táxi! Creio que, na verdade, só o italiano foi filmado a entrar no táxi à saída do aeroporto. Presumo que os demais farão o mesmo! Mas a ideia de 'homens do táxi' agrada-me por outra razão: já repararam que afinal bastam 3 homens e um mês de trabalho (o timing foi o do Ministro das Finanças pois o dinheiro acaba em Junho) para fazer um programa político para os próximos anos em Portugal?!Não acham estranho termos pago e continuarmos a pagar a tantos políticos para nos governarem...? Afinal bastava pagar a 3...e ao táxi!

Há ainda aqui um pequeno nada a considerar. A Europa já disse que não vai ter 'imaginação' para 'programas interinos' e 'empréstimos intercalares'. Dito de outro modo, o programa dos 'homens do táxi' é o que vai ser adoptado obrigatoriamente pelo próximo governo, seja ele qual for... de qualquer que seja o partido. Portanto, meus amigos vejam lá em quem vão votar! O vosso voto é muito importante pois qualquer que seja a vossa escolha (lembrem-se quando fizerem a cruzinha) é no programa dos 'homens do táxi' que estão a votar, de facto. Aqueles que forem eleitos (e depois de todas as coligações que farão pouco dos votantes e do que se disse na campanha)poderão fazer melhor ou pior as pantominas mas por detrás deles, e de nós, estão os 'homens do táxi' com os Fs todos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Dar o salto ou 'ir a salto' 2

Os pobres de alto rendimento

Há muito já que percebi que muitos dos que se juntam a partidos políticos o fazem por uma questão de 'defesa' do seu estatuto social e económico ou no sentido de conquistar um, quando o não têm. Tal é suficiente para significar uma fragilidade e, mesmo, uma perversidade da nossa democracia. Há uma consciência, da parte de tais aderentes, da partidocracia, da sua utilidade face a interesses pessoais e da ausência de equidade e meritocracia. E, no entanto, são capazes de vir defender estes valores, ainda que o seu próprio comportamento social e político seja o primeiro a desmenti-lo. E, deve-se dizê-lo, haverá destes personagens em todo o espectro político, ainda que o 'arco do poder' lhes seja, evidentemente, mais apelativo.

No entanto, na actual crise, é ver o paradoxo ainda mais forte em que tais personagens caem, tornando-se, chamemos-lhes assim, 'pobres de alto rendimento'. De facto, se muitos se tornaram militantes para 'defender' ou conquistar um nível de escolhas elevado, agora vêem-se na circunstância de hipotecar quase todas as escolhas em função da única que acabam por considerar fundamental: o rendimento atingido em função da sua vinculação partidária. A esfera pública está repleta destes personagens lúgubres que revelam pelas suas palavras escritas ou faladas terem hipotecado a sua consciência moral social e política individuais para defenderem o pensamento único e atávico partidário. Tudo em função de um qualquer lugar de alto rendimento atingido pelo encosto partidário. Noutros casos, ainda, tal consciência (quando existe) é hipotecada tão só na esperança, porventura prometida, de um desses lugares de alto rendimento. Assim, os partidos surgem-nos neste momento como lugares de grande paradoxo: lugares que representam a escolha democrática e que premeia aqueles que hipotecam a sua capacidade de escolha.

Resultado: estamos rodeados na esfera pública de pobres de altíssimo rendimento. Ora tal pobreza empobrece-nos a todos: a cada um de nós como indivíduos e ao país! Num país de pobres e alto rendimento que promove a mediocridade e que a inteligência e a reflexão se auto-censuram em troca de trocos, o que resta fazer? Onde estão as células de resistência reflexiva que defendam uma participação mais alargada? Quem luta esta luta pelo fim da partidocracia e dos pobres de alto rendimento? Se a única escolha/participação é o voto em partidos que funcionam pela hipoteca das escolhas à reprodução no poder, este é um país que opta pela liberdade pela negativa. Devemos lutar por um país de liberdade pela positiva, de verdadeiras escolhas. Por nós e pelos nossos filhos! A mudança é urgente. Ou mudamos o país ou mais vale mudarmos de país!

Dar o salto ou 'ir a salto' 1

A eficácia social da mentira

O contexto em que vivemos torna, no mínimo, interessante dar alguma atenção à relação entre mentira e sociedade. A mentira social pode tomar várias formas: o 'rumor', o 'boato', a 'censura', a 'representação cínica', a 'mitomania', etc. De uma ou outra forma a mentira social é uma forma de poder que promove a manipulação activa, e segundo pressupostos falsos, de um grupo social sobre os demais. Quando a mentira se revela eficaz socialmente sem qualquer sanção jurídica ou moral passa mesmo a ser um valor positivo, um padrão, uma forma de vida. Ou seja, quando a mentira ganha eficácia social confunde-se com uma 'visão', um 'programa' e mesmo com a 'determinação' necessária para trazer à existência tal realidade. Porventura, já eufemisticamente, alguns revelam parte do jogo referindo-se à mentira instituída como mera 'propaganda', 'demagogia' ou 'eleitoralismo'. No entanto, para o 'verdadeiro mentiroso' tal acusação significa apenas que não se quer acreditar na sua 'visão' e não que ele é, de facto, mentiroso. Quando a classe política mente é nisto que se transforma a mentira: um mero jogo de linguagem em que vale tudo! E em que quem vence é quem sabe jogar o melhor possível: sem ser apanhado. Ou, mais sofisticadamente ainda como já acontece: a habilidade de mentir bem mesmo depois de ser apanhado. Quer dizer, criar pela mentira contínua a impossibilidade de ser apanhado pois a mentira é toda a realidade.

Ora este padrão de mentir - e especificamente a mentira patológica ou seja aquela em que o mentiroso acredita na mentira como verdade - tem tido tal eficácia política nos últimos tempos que tende a contaminar toda a sociedade. De facto há uma certa irrealidade da verdade. Queremos acreditar que talvez o rei não vá nu... E quem sabe talvez não vá, leva é vestida a última nova produção John Galliano! Os adeptos da verdade, pela consciência livre, pela lisura, pela escolha informada e pela participação cívica activa não são senão 'totós' ultrapassados numa altura em que a política se (i)legitima em jogos circunstanciais de um vale tudo espectacular pós-moderno desde que alimente a estratégia de poder.

Como nos lembrou muito bem Pasolini em 'Salò', evocando a ditadura para reflectir sobre a democracia, a narrativa de ilusão é o primeiro patamar antes da merda e do sangue. Devemos resistir de forma consciente agora, enquanto é tempo! Ou fugir do país.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cronicidades 7

No Verão...Um Licor Beirão

O autor deste blog é alentejano, tem a mania de deitar-se nas curvas e tem tido algumas ultimamente. Não, é antes algarvio e inconstante, para não dizer pouco confiável. Ou se calhar é transmontano e disse que já que isto não mudava voltava para a terra. Vem tudo isto a propósito dos beirões... E devemos escrever estes substantivos colectivos com letra grande ou não? Creio que sim mas e se o Estado estiver no mesmo texto, como se distingue uma coisa da outra?

Todos sabemos que teoricamente o Estado é um conjunto de instituições que se legitima pela lei, a qual por sua vez é universal, geral e abstracta. Ou seja, quem quer que tenha um cargo estatal é legitimado por uma ordem que está para além e acima de qualquer localismo regionalista. Trata-se de defender a res publica, quer dizer a coisa publica, o interesse geral, o bem comum...Ainda não estão a ver onde quero chegar, estou a ver.

Ninguém, para além de uns quantos bloggers,deu uma especial atenção,no meio de tanto absurdo, mas um representante do Estado, o PGR, disse: 'Um beirão honesto não desiste, não se demite". Claro, se ele fosse um algarvio, um trasmontano ou um alentejano...seria outra coisa. Invocar o regionalismo clãnico (a ideia de que os beirões são todos da mesma estirpe é um raciocínio fortemente clãnico, ou seja a referência a um antepassado comum)para legitimar a continuidade num cargo estatal?... De facto, isto só traz ao de cima a verdade. Se calhar não era má ideia começar a fazer uma contabilidade da divisão social do trabalho nas instituições de Estado em função da origem regional dos que nelas ocupam cargos. Um 'outro mapa' de Portugal poderia elucidar-nos que no Porto dominam os trasmontanos e os minhotos e em Lisboa os Beirões e outros. E, já agora, que as famílias políticas têm três círculos de interesses que se sobrepõem: os do parentesco, os partidários e os regionais. Sendo o dinheiro e o poder as pulsões básicas. A isso se resume as mais das vezes a tal res publica, o interesse geral, o bem comum ou o que quer que seja que dê certo (glosando o último filme do Woody Allen).

E se... e se esta frase do PGR trouxesse 'água no bico'? É que o PGR utilizou o seu raciocínio clãnico num grau elevado. Ao referir-se a si próprio como um 'Beirão honesto' ele estava a distinguir-se, no clã dos beirões, dos beirões desonestos, ou seja, entenda-se, beirões que se passam por beirões sem o serem. E assim, podemos entender doutra maneira o PGR. Num Estado com tiques ditatoriais, os agentes estatais têm que usar uma linguagem cifrada para dizer o que pensam, escapando, assim, à censura interna. Ou seja, é possível que as técnicas que os jornalistas usavam no tempo da ditadura sejam agora usadas pelos próprios agentes estatais, cabendo aos jornalistas descodificar a linguagem cifrada daqueles. Claro que posso estar a exagerar na subtil inteligência subversiva do PGR mas podemos dar-lhe o benefício da dúvida. Cabe, assim, ao jornalismo de investigação (esta é mesmo para rir, entenda-se) descobrir, basicamente, o 'beirão desonesto', o beirão que não é beirão, que se fez passar por beirão tal como já se fez passar por muitas outras coisas. Vamos lá...não há-de ser difícil. É como jogar o Cluedo. O que o PGR deu foi mais uma pista. E já tínhamos tantas! Neste Verão...um licor beirão e vão ver que conseguem descobrir o que o PGR quis dizer afinal!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

cronicidades 6

Os 101 dias…

O filme é de suspensão social e política, a qual se abre a todas as excepções possíveis. Sabemos o início e o meio mas ainda não sabemos o fim da história. Sabemos que tudo começa com a Sedução e no meio há uma série de Sacrifícios e, portanto, alguns heróis. Com a história toda contada perceberemos o que aconteceu com um país e um povo que demora quase tanto tempo a fazer o luto de um regime autoritário quanto o tempo que ele durou.

O cenário é o da hipoteca económica de um país, que se torna o pretexto de uma hipoteca moral e política. Apresenta-se-nos a aceitação do abuso de poder, pelo medo da bancarrota, revelando um povo amordaçado, amarrado e sem valores morais e políticos… ou seja, a ausência de um povo.

O personagem principal é um cidadão que utiliza o poder de um órgão de soberania para elaborar um plano cujo objectivo é o de silenciar todos os outros poderes (o da sociedade civil e das corporações, o dos media, o judicial, o legislativo-presidencial, …) em favor do usufruto de mais poder. Estamos perante um plano simples de abuso de poder e um abuso do mandato de representação em que, a partir de um órgão de soberania, o tal protagonista utiliza o poder conferido por tal órgão para diminuir todos os outros poderes do Estado e da Sociedade. O espectador vai vislumbrando indícios de estar a ver mais um enredo palaciano, uma espécie de plano de golpe de Estado constitucional. Tal plano de abuso de poder configuraria um atentado ao Estado de Direito, um atentado ao próprio regime evidenciando a possibilidade de uma tirania, de um regime autoritário ou de um fascismo político. No entanto, por um lado, o regime estava gasto, o Estado exaurido economicamente, a sociedade cansada, por outro lado , o protagonista é simpático e faz bem de vitima. E o espectador vai dizendo, de si para si, que tal plano é um exagero…ou talvez não!

Ao longo da história vão-se contando não mais de meia-dúzia de heróis com consciência social, um número crescente de sacrificados por um lado, de desistentes e cépticos por outro, e uns poucos lutadores de segunda linha, esbracejantes, que se admiram todos os dias do Estado e do Povo impotente.

O espectador vai pensando que os representantes têm tão só um mandato de representação e ainda é possível, até ao fim da história, que os poderes estatais fragilizados, pela hipoteca económica, resistam a uma hipoteca moral e política do país e do povo. Mas essa interpretação dos valores do Regime tem de lutar contra a própria burocracia suspensiva estatal que, em si mesmo, faz parte do plano. Aos 101 dias o momento é o do clímax: o regime está em causa e, portanto, cabe ao representante do regime a Palavra.

Caso o Estado esteja demasiado fragilizado, talvez ainda seja possível que os espectadores deste filme finalmente percebam que a sua função não é a de votar de 4 em 4 anos e permanecer num estado zombie, alucinados pela sedução fílmica dos actores do poder, o resto do tempo. Se os poderes do Estado estiverem demasiados fragilizados, talvez seja possível que os espectadores se levantem das cadeiras e decidam de vez entrar no filme que pagam para ver. É bonito pensar na possibilidade da desobediência civil dos espectadores deste filme mau. Mas se tantos na fila da frente se sentaram a ver a filme, completamente seduzidos, não é fácil que os demais espectadores que estão na grande plateia se levantem. E depois pode ser já tarde demais!

E já vimos filmes destes!

domingo, 24 de janeiro de 2010

cronicidades 5

Novos contratos sociais?

O esperável acordo entre o PS e o CDS para a viabilização do Orçamento de Estado é, em si mesmo, um caso de estudo interessante. As politiquices de circunstância que possibilitarão tal serão muitas e, talvez, centrais. Mas, como cidadão, o que me parece pertinente é a possibilidade do encontro de dois modelos, aparentemente tão diferentes.

O PS, em princípio, defende um Estado forte e uma política económica neo-keynesiana, sustentada em obras públicas de peso (TGV; auto-estradas; aeroporto; etc) sem qualquer eficácia multiplicadora, hipotecando o país e, portanto, fragilizando o Estado. É este o paradoxo do PS.

Já o CDS, em princípio, defende um Estado mínimo e uma política económica neo-friedmaniana, sustentada nas pequenas e médias empresas...para as quais pedem o apoio do Estado. É este o paradoxo do CDS.

Um novo contrato social, de facto, implica novos papeis para o Estado e para a Sociedade Civil, porventura um Estado de Governação Civil ou/e uma Sociedade Política Organizada. É claro que isso é muito abstracto e é quase não dizer nada!

Os países pequenos como Portugal, no quadro das novas regiões globais (União Europeia)são aqueles em que o Estado mais facilmente se vê hipotecado pelos interesses de grandes empresas que o utilizam enquanto procuram sofregamente internacionalizar-se, ou seja, sair de Portugal. Tal situação implica um Estado forte, ou seja, que resista a essa hipoteca. Esta é a parte em que a verdadeira esquerda está certa. No entanto, nestes países pequenos (assemelhando, de certo modo, os países pós-catástrofe dos países à beira de uma catástrofe)o que se deve fazer é, antes de mais, dar sustentabilidade às forças endógenas, ou seja, às pequenas e médias empresas que constituem o tecido económico-empresarial. Quando as grandes empresas só têm sustentabilidade em negócios fora do país (ou seja criando desemprego), a única hipótese é considerar em cada português um empreendedor e potencial empregador. E é aqui que a Direita liberal tem razão. Ou seja, é necessário um Estado forte e decidido que tenha um papel de reabertura liberal da economia no quadro, obviamente, de uma regulação (trans-estatal, aliás) que impeça a bolha financeira. Tal implica, exactamente, uma focalização na economia real e, também, uma mudança, óbvia, da economia das infra-estruturas para uma economia das pessoas,da cultura, da ciência, das novas tecnologias e dos divertimento, enfim, uma economia quaternária!

O acordo entre o PS e o CDS para a viabilização do Orçamento de Estado é,provavelmente, resultado de uma séria de politiquices contingenciais que me escapam mas poderia também ser um sintoma-indício de uma necessária procura. Ver o acordo apenas na contingência das politiquices talvez impeça uma verdadeira análise do que ao menos deveria estar em causa: a busca de um novo modelo. No entanto, um novo modelo implica de tal maneira paradoxos internos no pensamento e estruturas partidárias que implicaria uma renovação da própria partidocracia em que estamos mergulhados e que é um dos maiores impedimentos a um novo contrato social, o tal Estado de Governação Civil ou/e uma Sociedade Política Organizada. De facto, as grandes empresas que sugam os últimos trocos de um Estado cada vez com mais problemas de liquidez, enquanto procuram contratos noutros países com mais liquidez, associado à apatia de uma sociedade civil que é considerada e se considera como mera reserva para a empregabilidade e não com potencial empreendedor e empregador próprio, é o caldo que leva à 'morte lenta' do país que as empresas de rating indicam ou para a 'terminação' nas palavras de Rui Zink em 'O Destino Turístico'.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cronicidades 4

TGV: Mobilidade, Metrópoles e Cultura Europeia

Tenho para mim que as (ou ao menos algumas) gandes infra-estruturas (e a rede europeia de TGV pode ser um bom estudo de caso) fazem parte de um planeamento estratégico que visa potenciar a mobilidade europeia como função causal do desenvolvimento de uma Cultura Europeia. Se tal hipótese tiver sentido, devemos antes de mais analisar tais infra-estruturas de um ponto de vista do interesse europeu e não apenas nacional ou regional. É sob o ponto de vista da globalização regional europeia que o TGV pode ter mais sentido. E tal pode potenciar algumas regiões transfronteiriças e ser prejudicial para outras. A discussão muito nacional (ou ibérica) que foi feita em campanha eleitoral parece-me deixar de lado, de forma um tanto paroquialista, a referência a uma Cultura Europeia que só se consegue com o Paradigma da Mobilidade e tal é uma agenda evidente da UE.

Creio, também, que outras infra-estruturas nacionais (em particular o Aeroporto e a sua mudança para a margem sul) evidenciam a relação entre Cultura Nacional e Globalização (entenda-se, antes de mais, UE). Ou seja, apesar de haver várias hipóteses de criar socio-espacialidades estratégicas nacionais face à globalização (destradicionalização; urbanismo por formatação; metropolização...), é a teoria de Cidade Primacial que acaba por ter pertinência. A focalização na linha Lisboa-Madrid, dá peso a esta interpretação. De facto, essa é a ligação à Europa! Já a ligação Porto-Vigo (o outro eixo metropolitano), é para extender a maior conurbação da 'West Coast'!

Qualquer ligação entre esta estratégia e o desenvolvimento das Cidades Médias em Portugal parece-me pura ilusão.Ou seja, como a Europa está em processo de centralização federativa, ao menos os países periféricos, como o caso de Portugal, optam por uma única cidade interlocutora. O plano surgido no final dos anos 90, denominado "Lisboa, Metrópole de Duas Margens" - e que provavelmente vai ser desenvolvido nesta legislatura - revela que as infra-estruturas têm um papel Cultural fundamental da construção da Europa como Arquipélago de Metrópoles.

É esta questão da Cultura como articulação de Metrópoles, tendo estas o papel cultural de serem 'brokers' da cultura europeia, que pode escapar se analisarmos as infra-estruturas de um ponto de vista da engenharia, urbanismo, economia, etc,. A política do Planeamento do Território, e especificamente das grandes infra-estruturas, está actualmente relacionado com a Cultura Europeia em formação.